
À PORRADA COM A VIDA
Lembro-me, desde sempre
de andar à porrada com a vida.
Desde menina e moça
me levando de casa de meus pais,
entre os cavalos e ovelhas
com os outros putos dos casais.
Correndo serra acima,
saltando riachos,
subindo as árvores,
comendo uvas em cachos.
Levada, sim, mas para a cidade,
detestei esse tempo breve
da minha mocidade,
enfiada em prédios,
em tédios,
em cimento
sem sentimento!
Crescendo entre livros,
poetas e artistas,
amigos eram revistas,
em prateleiras de sonho.
À porrada com a vida
os meus versos compunha,
à porrada com a morte
os meus versos componho!
NOÉLIA DE SANTA ROSA
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Obrigada e até breve
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