ALICE NO FUMO DA LAGARTA


Foto de Alexander Shakhabalov

Subo as paredes da sala,
As pernas descem-me ao sonho.
Espirais de fumo colorido com que teço o meu casulo
Escorrem ao longe, no longe dos meus pensamentos.
A casa está vazia de ti, de mim, de nós.
Ato os pulsos e derreto as velas,
Acaricío o passado com a ponta dos dedos,
Fecho os olhos e deixo-me vogar na estratosfera
Com o burbulhar do Nargile nos meus ouvidos
A tua voz vem de novo acordar-me a fome dos sentidos.
Sou de novo Alice no topo do cogumelo,
Lagarta que se muda a cada instante.
Como foi que disseste?
Come um bocado mais de mim!
Comi,
Cresci,
Desapareceste!